segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Descascando a cebola.

Eu já sabia, mas permiti. E outra confusão se fez. Só que foi diferente. Dessa vez a dor foi infinitamente mais intensa. Senti por muitas semanas uma dor claustrofóbica, como se minhas emoções e sentimentos precisassem permanecer presos dentro de uma caixa, trancados à muito mais do que sete chaves, e bem fundo.
O processo de auto-conhecimento é longo, doloroso. Estava no caminho. Afastar ainda parecia ser a melhor saída, mas doeu muito e eu fui fraca. Dei um piti, arrumei desculpas mas a verdade esteve sempre ali. Senti saudades.
Pensei em dar um tempo, mas lembrei que já tentei isso antes, e foi em vão.
Então decidi usar outra estratégia. Percebi que precisava tirar cada escama desse sentimento que ainda me consome, e entender porque ele ainda está lá, martelando há tantos anos. Porque eu permito que isso me desestruture. Porque dou tanta importância pra algo que nunca existiu.
E me imaginei descascando uma cebola. Tenho uma sensibilidade ocular bastante comum e sempre choro. Mas o que seriam daquelas receitas sem o fritar da cebola?
Então, no final das contas, entendi que as lágrimas sempre valem à pena.
Basta entender porque elas caem, e não ter pressa em secá-las.


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